"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Os corcundas de smartphone


Estudos apontam que pessoas que fazem uso intensivo dos aparelhos de smartphone
ao longo do dia começam a apresentar problemas de coluna decorrente da má postura
Guito Moreto / Agência O Globo
publicado originalmente em O Globo

Uma nova geração toma conta das ruas. Não tem gênero nem idade, mas compartilha a mesma obsessão e uma maneira distinta de ver o mundo: por meio das telas de seus telefones. São os corcundas de smartphone, um grupo numerosíssimo que faz a Humanidade “evoluir” mais um passo: da posição ereta para a curvada. Dentro de casa, em ruas, restaurantes, bares, shows, ônibus, trens e até ao volante, eles estão por toda parte. E o mais alarmante: especialistas garantem que estão todos doentes física e socialmente.

- O problema é que o grau de intensidade desse uso é tão grande que a pessoa não consegue se concentrar em outra coisa além do celular - alerta a socióloga e professora da Universidade Metodista de São Paulo Luci Praun. - O uso que se faz do aparelho não está ligado ao espaço que a pessoa frequenta. Então, ela vai mesmo para outro mundo.

Luci, no entanto, não concorda com a tese de que essa geração vive mais no mundo virtual. Essa não é a questão, segundo ela. Na maior parte do tempo, as pessoas estão, pelo telefone, relacionando-se com aqueles que fazem parte de seu convívio social. Então, por que o smartphone mesmo?

- Em minha tese de doutorado pesquisei amplamente a questão da influência dos telefones celulares no cotidiano das pessoas - conta Sandra Rúbia da Silva, doutora em Antropologia Social e professora de Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (RS). - Meus entrevistados diziam que não conseguiam viver sem o telefone celular, que o aparelho havia mesmo se tornado uma parte de seu corpo.

Para Sandra, esse tipo de obsessão gera, sim, uma alienação social, na medida que as pessoas facilmente se desligam de conversas no mundo real para checar mensagens e notificações nas redes sociais. Tanto Sandra quanto Luci acreditam que a questão é a falta de foco, que afeta tanto as relações interpessoais como o trabalho e a educação.



E o problema não tem mesmo idade. A economista Carolina Gomes já perdeu a conta do número de vezes que reclamou com seu pai, de 62 anos, por ele estar com o telefone à mesa.

- Meu pai sempre foi o mais chato com o jantar. Todo mundo tinha que estar pronto na hora certa, era o momento da reunião familiar - lembra. - Mas agora ele leva o telefone para a mesa e sempre tem a desculpa de que precisa mandar um e-mail. Na verdade, poderia fazer isso em outro momento. Eu noto (esse comportamento) em todo lugar, principalmente com meus amigos. Hoje tento me policiar, já notei que esse problema é uma falta de educação.

É a tal da doença social, com impacto direto em todos os aspectos da vida. De acordo com Luci, não é algo que parta do indivíduo. É, sim, uma demanda exacerbada pela produtividade constante do trabalho que acabou se transportando para outros campos.

- As pessoas estão adoecendo, pois se sentem cobradas. Há um grau de ansiedade embutido nesse processo, sempre temos que dar conta — avalia a socióloga. — A sensação de que as 24 horas do dia não são suficientes é generalizada. É necessário pensar esse fenômeno para além do vício em smartphones.

Escreve certo. Anda em linhas tortas

A necessidade de interagir o tempo inteiro faz com que o técnico em química Leonardo Medeiros não tire o aparelho das mãos. Ele é um dos que corroboram uma pesquisa divulgada em janeiro pela Universidade de Queensland, na Austrália, que mostrou que a mania de escrever ao telefone no meio da rua está mudando a forma como as pessoas caminham.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Famosos cometem gafe ao anunciar eletrônicos e usar produtos de rivais


Campanhas de marketing envolvendo celebridades e empresas de tecnologia nem sempre dão certo. Os famosos tentam cumprir seus papéis de apresentadores do produto. No entanto, em algumas ocasiões, acabam deixando claro que, na verdade, usam o aparelho da concorrente. Veja abaixo alguns casos de mancadas de celebridades envolvendo grandes fabricantes (ou clique aqui para ver outras mancadas envolvendo o uso de tecnologia):

Ellen DeGeneres


A apresentadora norte-americana Ellen DeGeneres (foto) publicou um selfie (autorretrato) utilizando um smartphone da Samsung, que patrocinava o evento, durante a cerimônia do Oscar. Segundo o Twitter, a mensagem foi uma das mais compartilhadas até o momento na rede social. No entanto, nos bastidores, Ellen fez várias postagens usando seu iPhone. Pelo menos a foto famosa foi tirada com quem estava "pagando a conta".

David Beckham


O ex-jogador de futebol David Beckham foi o garoto propaganda da Samsung durante os Jogos Olímpicos de 2012. Ele era uma espécie de "embaixador global da marca". No entanto, o jogador aposentado foi visto tirando fotos com um iPhone, da Apple, durante o SuperBowl, final de campeonato de futebol americano nos Estados Unidos.

Oprah Winfrey


A apresentadora norte-americana Oprah Winfrey publicou em 2012 no Twitter a seguinte mensagem: "Tenho que dizer que eu amo o [tablet] Surface! Já comprei 12 para dar de presente de Natal". O que tornou a mensagem estranha foi o fato de ela ter postado isso de um iPad, um dos concorrentes do tablet da Microsoft.

David Ferrer


O tenista espanhol David Ferrer postou em seu Twitter a seguinte mensagem para promover o smartphone Galaxy S4: "Como estou feliz com meu novo Galaxy S4. [Estou] configurando o S Health [aplicativo para monitoramento de saúde] para me ajudar nos treinos". O problema é que a mensagem foi publicada de um iPhone.LEIA MAIS

Alicia Keys


A cantora norte-americana Alicia Keys foi nomeada diretora criativa da BlackBerry em janeiro de 2013. Em fevereiro, a cantora, supostamente, postou no Twitter o trecho de música do rapper canadense Drake e foi possível ver que a mensagem tinha sido enviada por um iPhone. Na época, Alicia disse que sua conta tinha sido hackeada.LEIA MAIS

Franz Beckenbauer


O ex-jogador de futebol Franz Beckenbauer fez parte de uma campanha da Samsung para promover os dispositivos Galaxy. A ação consistia em tornar viral um time de futebol formado chamado Galaxy 11. O ex-atleta alemão, então, postou no Twitter: "Os aliens estão chegando perto. Decidi que nós precisamos de mais jogadores para salvar o planeta.". A mensagem do Beckenbauer foi enviada de um iPhone.

Diretor de operadora dos EUA


John Legere, diretor-executivo da T-Mobile (operadora de telefonia móvel dos EUA), postou uma mensagem relatando estar honrado com o fato de a Samsung começar a vender "phablets" no país. "Eu não sei o que eu faria sem meu #Note3!", escreveu Legere no Twitter utilizando o aplicativo para iPhone. Após a repercussão do caso, o executivo postou uma foto mostrando que, além do iPhone, ele tem um relógio inteligente Galaxy Gear e um smartphone Galaxy Note 3.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Africano cria impressora 3D com lixo eletrônico

A impressora 3D já se revelou grande aliada do presente e do futuro. Além de ajudar crianças com deficiência  e animais machucados, também facilitará jornadas mais ousadas ao espaço, se depender da Nasa.
Com essa visão, o africano Kodjo Afate Gnikou se empenhou para construir uma impressora 3D com lixo eletrônico. E não é que o projeto foi bem sucedido?! Com U$ 100 e partes de equipamentos digitais que já não funcionavam mais, ele construiu um modelo que pode ajudar seu país de origem, o Togo.
O descarte de aparelhos e componentes eletrônicos é um dos problemas mais graves do mundo. Além de promover a reciclagem desses materiais, Kodjo torna a impressora 3D mais economicamente acessível (no mercado americano, você não consegue por menos de alguns milhares de dólares).
A ideia genial do africano vem de sua experiência no grupo WoeLab, na cidade de Lomé, que reúne hackers que querem tornar possível um projeto de expedição para Marte com aparelhos feitos a partir do lixo eletrônico. Para que esse projeto dê certo, o sucesso da impressora 3D é crucial.
Mas claro que as vantagens do trabalho de Kodjo vão muito além da realização da talviagem espacial. De acordo com informações da página de crowdfunding em que o projeto foi anunciado – e totalmente financiado!  –, ele pretende “colocar a tecnologia à disposição de pessoas carentes, tornando possível que a África não seja apenas espectadora, mas protagonista nessa revolução industrial virtuosa”.
Dar uma segunda vida aos objetos não só diminui o lixo e o desperdício, como também contribui para a economia, a qualidade de vida de terceiros e a conservação da natureza.
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Twitter testa novo layout similar a Facebook e Google+

Fotos do perfil ficarão maiores e lista de tuítes deixará de ser exibida.
Microblog já cedeu a redes sociais funções como hashtag e trending topics.
Twitter testa novo layout para de sua página, que aproximará o microblog das redes sociais Facebook e Google+. (Foto: Reprodução/Mashable.com)
Twitter testa novo layout para de sua página, que aproximará o microblog das redes sociais Facebook e Google+. (Foto: Reprodução/Mashable.com)
Publicado no G1
O Twitter está testando uma remodelação de layout que aproximará a forma como microblog exibe o conteúdo do jeito como as redes sociais Facebook e Google+ organizam as publicações de usuários.
A imagem de um perfil com esse redesenho foi publicada pelo site “Mashable” nesta terça-feira (11).
Se confirmadas, as mudanças marcarão uma virada na relação entre o microblog e as outras redes sociais. Nos últimos anos, foram Facebook e companhia que adotaram as ferramentas criadas pelo Twitter, como a “hashtag”, os “trending topics” e a forma de citar outros usuários usando o símbolo “@”.
Segundo a imagem postada pelo site, o layout da timeline dos usuários no Twitter deve incorporar uma mescla de elementos da rede social do Google e Facebook.

Perigo: porque os pais devem respeitar o limite de idade das redes sociais

kids-computer_2698347bNatasha Romanzoti, no HypeScience
Cerca de 43% das 1.004 crianças britânicas participantes de um estudo disseram ter enviado mensagens online para estranhos a partir de uma idade média de 12 anos.
A pesquisa foi realizada pelo knowthenet.org.uk, site financiado pela organização sem fins lucrativos Nominet, responsável pelo bom funcionamento e segurança da infraestrutura da internet no Reino Unido.
O estudo afirma que o desenvolvimento online de uma criança começa aos nove anos, e nos quatro anos seguintes, sua atividade na internet evolui da simples visualização de conteúdo a ser ativo em mídias sociais.

As redes frequentadas pelos pequenos

Facebook é a rede social com maior probabilidade de ter membros menores de idade, que quebram a regra de idade mínima de 13 anos, com 52% das crianças de 8 a 16 anos admitindo que haviam ignorado o limite de idade oficial do site.
O aplicativo de mensagens WhatsApp exige que seus membros tenham pelo menos 16 anos de idade para utilizá-lo, mas 40% dos entrevistados disseram o ter usado antes.
A idade mínima do BlackBerry Messenger, de 13 anos, também foi ignorada por 24% das crianças, e o app SnapChat era usado por 11% delas, apesar de sua política de idade mínima de 13 anos – que, aliás, não é nada eficaz, já que o serviço não pede idade no ato da inscrição, de forma que crianças mais jovens do que 13 precisam ser relatadas para o aplicativo.

Evolução rápida

Aos nove anos, as crianças primeiro acessam o YouTube e usam um laptop ou celular. Aos 10, elas começam a utilizar gíria de internet, como “rsrs”, “aki” e hashtags, além de enviar mensagens instantâneas.
A maior proporção de atividade na internet ocorre quando as crianças atingem 11 anos de idade, momento no qual estão mais propensas a postar uma imagem ou vídeo de si mesmas pela primeira vez, postar um comentário inadequado online ou criar um perfil de mídia social falso.
Um ano mais tarde, com 12 anos, as crianças passam a usar Twitter e Whatsapp e mandam mensagem a alguém que não conhecem na vida real. Quando atingem 13 – sua maturidade social – começam a usar serviços como SnapChat e Ask FM, além de tentar enviar mensagens com conteúdo sexual pela primeira vez.

Proibir ou vigiar?

Mães de crianças pequenas em plena era digital sabem que não é fácil manter seus filhos longe de eletrônicos, especialmente smartphones e notebooks. Mas proibi-los de usar tais dispositivos não ajuda em nada – não precisamos de estudos científicos para saber que as crianças vão encontrar outra maneira de fazer parte deste mundo, longe dos olhos dos pais.
Ao mesmo tempo, largar seu filho com um celular na mão sem ficar atenta ao que ele está fazendo é uma ideia ainda pior.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

‘Ligação 06565′ não causa prejuízos, diz Anatel

Compartilhado nas redes sociais, o aviso informa que as chamadas suspeitas poderiam clonar os números e retirar créditos pré-pago


via Tribuna do Ceará

Você já recebeu alguma ligação do número iniciado com “065 65 20″? A denúncia de um suposto 
golpe envolvendo chamadas originadas desse DDD tem deixado muitos usuários de telefonia móvel em estado de alerta no Ceará. Compartilhado nas redes sociais, o aviso informa que as chamadas suspeitas poderiam clonar os números e retirar créditos pré-pago.

No entanto, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) é improvável que um telefone seja clonado a partir de uma chamada de voz. Segundo a empresa reguladora, que ainda está investigando o caso e não sabe a procedência das ligações, a única forma de que outras pessoas tenham acesso aos dados dos usuários é se estes os fornecerem. Além disso, caso se confirme que trata-se de um golpe, a empresa acionará a polícia.


Na maioria dos casos, as pessoas relatam que não conseguiram atender as ligações porque estas teriam sido canceladas após o primeiro toque. Por esse motivo, o titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações, Jaime de Paula Pessoa, não vê razões para que as pessoas tenham medo. “Não existe o teor dessas ligações, a delegacia não tem o conhecimento de nenhum caso, apenas da história que se espalhou nas redes sociais”, argumenta.

A estudante Arícia Martins, que recebeu a chamada suspeita por volta das 15h desta segunda-feira (27), conta que já havia visto nas redes sociais à respeito da possibilidade de ter o número clonado. “Na verdade foi só um toque, na hora que eu ia rejeitar, a ligação caiu. Não atenderia nem retornei”.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Anúncio inspirado em pai de santo turbina oficina de computadores mantida por engenheiro


Publicado no Estadão
Aqueles anúncios peculiares colocados em postes, que garantem o retorno do amor frustrado, serviram de inspiração para o engenheiro eletrônico Henrique Tyszler. Dono de uma oficina de manutenção de computadores, ele bolou uma panfleto inspirado nos muitos pais e mães de santo da cidade e conseguiu o que queria: chamar a atenção da clientela.
No anúncio, Tyszler se autodenomina ‘Pai Henrique do PC’ e, entre outras promessas, garante trazer o Windows de volta em três dias, além de fechar a rede contra o olho gordo dos hackers e exorcizar PCs que foram formatados pelos sobrinhos dos usuários.
ESTADAO PME - HENRIQUE TYSZLER - PAI HENRIQUE
Com 70 anos e já aposentado, Tyszler imprimiu alguns panfletos e colocou o anúncio também em seu perfil no Facebook. A ideia, ele garante, era brincar com os clientes da oficina que mantem há 11 anos no bairro do Paraíso, zona sul da capital. O resultado foi imediato.
“As pessoas gostaram. Na mesma semana eu vi meu anúncio nos blogs e acredito que deve ter dado um incremento de uns 20% em clientes por causa dessa propaganda”, conta o empreendedor, que gastou cerca R$ 100.
“Foi mais o tempo de escrever o anúncio, fiquei quase um mês bolando o texto”, conta. “É interessante que o que eu escrevo lá, fora a sátira de trazer sinal Wi-Fi do além, o resto eu faço tudo. Realmente instalo o Windows em três dias”, diz o engenheiro que também fez um site para sua propaganda, o paihenriquedopc.com.br. “Eu até coloquei meu currículo lá para as pessoas verem que eu sei do que estou falando, que realmente tenho uma carreira na área.”

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Cancelei a minha conta no WhatsApp

artigo_74305Fábio Bandeira, no Administradores
Resolvi. Cancelei minha conta no WhatsApp. Eu demorei até certo tempo, comparado ao meu ciclo de convívio, para iniciar no aplicativo. Houve um encantamento imediato sobre a facilidade de trocar mensagens, vídeos, imagens, mas o efeito “nefasto” que o app provoca nas pessoas me fez abandonar a ideia de tê-lo.
A palavra “nefasto” pode até soar pesado para alguns, mas, de fato, é assim que passei a enxergar a questão. Ir a um barzinho, estar em uma confraternização/aniversário, encontrar os amigos. É quase uma regra (principalmente se você tem entre 12 a 30 anos), sempre terão aqueles que não desgrudam os olhos da tela do celular e entram em seu mundo paralelo digital, geralmente no WhatsApp ou Facebook.
As pessoas ao redor desses “ultra conectados” parecem meras peças de um cenário paralisado que só acontece a real interação em três momentos: Na chegada ao local (é preciso cumprimentar as pessoas); no momento da foto (é claro, a foto vai para as redes sociais para mostrar como a pessoa se diverte com o restante do grupo); e na hora de ir embora (ainda dizendo como foi bom o reencontro).
O problema é que esse número de pessoas alienadas está se multiplicando. Chega ao ponto que não existe um diálogo, fica cada um imerso em sua mini tela. Isso, quando a conversa entre as pessoas não é: “Você viu aquele vídeo no WhatsApp? Você tem que ver… muito engraçado. Estou enviando para o seu”. Sim, essa é apenas uma situação ruim do aplicativo, mas não irei me alongar nas outras.
A questão é que vivemos em plena era de ouro da comunicação, onde todos têm possibilidades infinitas para interagir, mas talvez, seja o momento mais crítico da história da comunicação. Há falta de diálogo, convívio, interação com quem está próximo de nós. Até ligar já está virando “artigo de luxo”. Exagero? As operadoras de telefone estão acompanhando essa tendência de comportamento e invertendo seu marketing… Não se oferece mais tantos planos para ligar, a questão, agora, são os planos com internet ilimitada, internet a R$ 0,25, entre outros.
Acho que o sempre otimista filósofo Pierre Levy, quando descreveu o conceito de Inteligência Coletiva, não imagina que o WhatsApp poderia ter sido inventado. Ou até imaginava, mas não sabia que as pessoas iam preferir ficar ali – no aplicativo -, em vez do convívio social.
As falas de um de seus maiores opositores, o polêmico filósofo e sociólogo francês Jean Baudrillard (já falecido), feroz crítico da sociedade de consumo, nunca fizeram tanto sentido. Principalmente na questão de quando se transfere suas características para as novas máquinas, o homem está abrindo mão de si mesmo.

Na revista Administradores

Na edição novembro/dezembro da revista Administradores resolvemos questionar sobre o WhatsApp em nossa editoria contraponto. Colocamos dois especialistas para defenderem sua tese e apontar as vantagens e desvantagens do aplicativo. Você pode ler aqui o que os dois especialistas falaram.
Confesso que minha opinião foi alterada ao longo do tempo. Antes favorável à facilidade de comunicação que o WhatsApp poderia gerar, coloco-me hoje a favor da comunicação real, do tête-à-tête, sem as barreiras das mini telas. Apesar de não me encaixar no perfil alienado (como aquele citado acima), estar no aplicativo me colocava no status de condescendente com algo que sou contra. Isso estava incomodando.

Que tal refletir

Acho que essa questão de como lidamos com a internet e com o ato de estar conectado 24h cabe uma reflexão individual. Você: como lida com essa conexão com redes sociais e aplicativos no celular?
Talvez não esteja no momento de avaliar e refletir sobre o tempo que se “dedica” a eles?
Acho que a reflexão vale, principalmente, para aqueles que se encaixam no perfil de sentir necessidade de ver a timeline constantemente, que trocam a leitura de um livro para ver vídeos e besteiras na internet ou até mesmo não que conseguem realizar algumas atividades e tarefas de sua rotina por falta de concentração que as redes sociais e aplicativos com o WhatsApp geram.
Não sou contra redes sociais e apps, pelo contrário, acho que são fontes de interação, entretenimento e até de negócios muito válidas. No entanto, percebo certa alienação que essa conexão provoca em muitos. Não quero causar uma revolução nesse aspecto, apenas proponho que se busque encontrar formas de equilibrar essa balança do real com o virtual.
Enquanto isso não acontece, acho melhor deixar minha conta do WhatsApp cancelada.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Jovens adotam apps como Snapchat e WhatsApp para fugir dos adultos no Facebook

Rafael Capanema na Folha de S.Paulo
No fim de outubro, durante a apresentação dos resultados trimestrais do Facebook, o diretor financeiro da empresa, David Ebersman, afirmou que a rede social teve um “declínio em usuários diários, especificamente entre os adolescentes mais jovens”.
O motivo do êxodo, que tem beneficiado apps e serviços como o Snapchat e o WhatsApp, é simples: os jovens querem se comunicar longe das vistas de pais, parentes e professores, que muito provavelmente estão entre o 1,1 bilhão de usuários da maior rede social do mundo.
É a primeira vez em que um executivo do Facebook trata do assunto publicamente, mas há tempos a empresa se preocupa com as ameaças à sua hegemonia e age vigorosamente para combatê-las.
Quando percebeu que as pessoas compartilhavam cada vez mais imagens no Instagram, comprou o aplicativo, em abril de 2012.
Diante do sucesso do Snapchat, que permite enviar fotos e vídeos que se autodestroem em alguns segundos, criou um clone, o Poke, que foi um fracasso.
Depois, tentou comprar o próprio Snapchat por US$ 3 bilhões –o triplo do que pagara pelo Instagram–, segundo revelou o “Wall Street Journal” na semana passada.
Ainda na última semana, reformulou seu aplicativo de mensagens para Android e iOS, que agora pode ser usado para a comunicação entre pessoas que não são amigas no Facebook.
Além disso, o app tomou emprestado de mensageiros instantâneos populares na Ásia, como o WeChat (China), o Line (Japão) e o KakaoTalk (Coreia do Sul), o tom neon do novo ícone e a ênfase nas figurinhas (emoticons gigantes e ultracoloridos).
Nenhum desses concorrentes, porém, age como um substituto direto do Facebook, como o Google+. Além disso, eles às vezes são usados de formas que não haviam sido previstas por seus criadores, observou o analista Benedict Evans.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Google lança nova plataforma de ensino à distância

Helpouts permite que usuários entrem em contato com experts e paguem por “serviços” através de chat em vídeo
Publicado em O Globo
RIO – O Google entrou oficialmente no universo da educação à distância lançando o Helpouts, plataforma que permite a qualquer usuário de internet aprender ou ensinar. Para isso, juntou serviços que ele já oferece — o Youtube, Hangout, Google +, Gmail e Google Wallet — para conectar usuários a especialistas por meio de vídeos em tempo real com aulas gratuitas ou cobradas por sessão ou minuto.
Nesta primeira etapa, o Helpouts terá apenas aulas com profissionais convidados — foram firmadas parcerias com Sephora, One Medical, Weigh Watchers, Redbeacon e Rosetta Stone — mas em breve conectará qualquer um que queira ensinar algo a pessoas que queiram aprender, dentro das mais diversas categorias.
Algumas áreas que serão abrangidas já foram divulgadas pelo Google. São elas: artes e música, informática e eletrônica, culinária, educação, moda e beleza, fitness e nutrição e saúde e jardinagem.
“A ajuda pode ser uma resposta rápida para um problema que você esteja tendo agora, como consertar o portão da garagem, ou como limpar os vírus do computador; ou pode ser um auxílio para um projeto inteiro, como construir um deque. Pode ser aprender uma nova habilidade, como falar francês ou desenhar cartoons; ou pode ser um conselho mais geral, como como melhorar seu físico ou sua escrita”, escreveu Udi Manber, VP de engenharia no blog oficial do Google.
O único pré-requisito para acessar as aulas é ter uma conta no Google+. A videochamada usa a tecnologia do Google Hangout, conectando o especialista ao usuário ao vivo por vídeo. Os horários podem ser pré-agendados ou pode ser que haja um especialista de plantão, esperando os usuários aparecerem para tirar dúvidas. Antes de começar as aulas, o interessado pode ver um pequeno vídeo de introdução à aula e conferir as qualificações do instrutor. Além disso, abaixo da descrição do assunto a ser tratado, é possível ver a avaliação de outros usuários ao curso.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Google ganha direito de digitalizar 20 milhões de livros

Para o juiz Denny Chin, que proferiu a decisão nesta quinta-feira, a iniciativa de reproduzir livros das bibliotecas trará benefícios à geração digital
(Peter Macdiarmid/Getty Images)
Publicado na revista Veja

O Google ganhou na Justiça o direito de digitalizar livros impressos protegidos por direitos autorais. Desde 2005, a companhia briga legalmente com a Authors Guild, associação dos escritores dos Estados Unidos, para reproduzir digitalmente o equivalente a 20 milhões de obras disponíveis em bibliotecas do país. A decisão foi proferida por um juiz da corte distrital de Nova York, que considerou o pedido do Google justo.
Com a decisão formal, o Google pode continuar de forma legal o projeto que já estava em andamento. Segundo o juiz Denny Chin, o veredito foi baseado no fato de que a digitalização de materiais de pesquisa é um grande avanço, que não irá interferir no mercado editorial nos Estados Unidos. Ainda de acordo com o magistrado, o Google Books, nome da iniciativa promovida pelo buscador, é uma ferramenta de pesquisa essencial, que trará muitos benefícios à sociedade.

Atualmente, o Google estabelece uma regra que impede os usuários de fazer download dos livros. Trata-se de uma solução para evitar que essas obras sejam reproduzidas ilegalmente. Em um comunicado, o buscador afirmou que o Google Books respeita a lei de direito autoral americana e que o serviço funciona como um catálogo on-line, que permite ao usuário da “era digital” encontrar livros para comprar ou emprestar.
Projeto — O Google Books não reproduz digitalmente os livros na íntegra, mas apenas trechos deles. Obras livres de direitos autorais, de domínio público, podem ser acessadas de forma integral através do catálogo do buscador. Alguns títulos oferecem ao leitor um material mais abrangente. Isso acontece por causa de uma parceria que o Google firma com editoras interessadas.
Ao oferecer o resultado de uma pesquisa, o Google Books indica para o leitor lojas on-line onde ele pode encontrar o livro. O próprio Google, por meio do Google Play, disponibiliza uma loja de e-books. Fica a critério do usuário a compra da obra em sua versão digital ou física.

Histórico — A briga legal entre Google e a Authors Guild começou em 2005. No processo, a associação pediu à companhia uma indenização no valor de 750 dólares por livro digitalizado, o equivalente a 3 bilhões de dólares. Segundo a instituição, o Google não estava respeitando os direitos autorais disponibilizando trechos das obras.

Paul Aiken, diretor da Authors Guild, não concorda com o juiz de Nova York. “Essa decisão é uma mudança fundamental na proteção do direito autoral. Em nossa visão, a digitalização e a exploração em massa ultrapassa os limites do justo”, disse.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes

Publicado em Demografia Unicamp, via [Pavablog]
Esta é a Ana.
Ana é parte da Geração Y, a geração de jovens nascidos entre o fim da década de 1970 e a metade da década de 1990. Ela também faz parte da cultura Yuppie, que representa uma grande parte da geração Y.
“Yuppie” é uma derivação da sigla “YUP”, expressão inglesa que significa “Young Urban Professional”, ou seja, Jovem Profissional Urbano. É usado para referir-se a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta. Os yuppies em geral possuem formação universitária, trabalham em suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda. - Wikipedia
Eu dou um nome para yuppies da geração Y — costumo chamá-los de “Yuppies Especiais e Protagonistas da Geração Y”, ou “GYPSY” (Gen Y Protagonists & Special Yuppies). Um GYPSY é um tipo especial de yuppie, um tipo que se acha o personagem principal de uma história muito importante.
Então Ana está lá, curtindo sua vida de GYPSY, e ela gosta muito de ser a Ana. Só tem uma pequena coisinha atrapalhando:
Ana está meio infeliz.
Para entender a fundo o porquê de tal infelicidade, antes precisamos definir o que faz uma pessoa feliz, ou infeliz. É uma formula simples:
É muito simples — quando a realidade da vida de alguém está melhor do que essa pessoa estava esperando, ela está feliz. Quando a realidade acaba sendo pior do que as expectativas, essa pessoa está infeliz.
Para contextualizar melhor, vamos falar um pouco dos pais da Ana:
Os pais da Ana nasceram na década de 1950 — eles são “Baby Boomers“. Foram criados pelos avós da Ana, nascidos entre 1901 e 1924, e definitivamente não são GYPSYs.
Na época dos avós da Ana, eles eram obcecados com estabilidade econômica e criaram os pais dela para construir carreiras seguras e estáveis. Eles queriam que a grama dos pais dela crescesse mais verde e bonita do que eles as deles próprios. Algo assim:
Eles foram ensinados que nada podia os impedir de conseguir um gramado verde e exuberante em suas carreiras, mas que eles teriam que dedicar anos de trabalho duro para fazer isso acontecer.
Depois da fase de hippies insofríveis, os pais da Ana embarcaram em suas carreiras. Então nos anos 1970, 1980 e 1990, o mundo entrou numa era sem precedentes de prosperidade econômica. Os pais da Ana se saíram melhores do que esperavam. isso os deixou satisfeitos e otimistas.
Tendo uma vida mais suave e positiva do que seus próprios pais, os pais da Ana a criaram com um senso de otimismo e possibilidades infinitas. E eles não estavam sozinhos. Baby Boomers em todo o país e no mundo inteiro ensinaram seus filhos da geração Y que eles poderiam ser o que quisessem ser, induzindo assim a uma identidade de protagonista especial lá em seus sub-conscientes.
Isso deixou os GYPSYs se sentindo tremendamente esperançosos em relação à suas carreiras, ao ponto de aquele gramado verde de estabilidade e prosperidade, tão sonhado por seus pais, não ser mais suficiente. O gramado digno de um GYPSY também devia ter flores.
Isso nos leva ao primeiro fato sobre GYPSYs:
GYPSYs são ferozmente ambiciosos
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O GYPSY precisa de muito mais de sua carreira do que somente um gramado verde de prosperidade e estabilidade. O fato é, só um gramado verde não é lá tão único e extraordinário para um GYPSY. Enquanto seus pais queriam viver o sonho da prosperidade, os GYPSYs agora querem viver seu próprio sonho.
Cal Newport aponta que “seguir seu sonho” é uma frase que só apareceu nos últimos 20 anos, de acordo com o Ngram Viewer, uma ferramenta do Google que mostra quanto uma determinada frase aparece em textos impressos num certo período de tempo. Essa mesma ferramenta mostra que a frase “carreira estável” saiu de moda, e  também que a frase “realização profissional” está muito popular.
Para resumir, GYPSYs também querem prosperidade econômica assim como seus pais – eles só querem também se sentir realizados em suas carreiras, uma coisa que seus pais não pensavam muito.
Mas outra coisa está acontecendo. Enquanto os objetivos de carreira da geração Y se tornaram muito mais específicos e ambiciosos, uma segunda ideia foi ensinada à Ana durante toda sua infância:
Este é provavelmente uma boa hora para falar do nosso segundo fato sobre os GYPSYs:
GYPSYs vivem uma ilusão
Na cabeça de Ana passa o seguinte pensamento: “mas é claro… todo mundo vai ter uma boa carreira, mas como eu sou prodigiosamente magnífica, de um jeito fora do comum, minha vida profissional vai se destacar na multidão”. Então se uma geração inteira tem como objetivo um gramado verde e com flores, cada indivíduo GYPSY acaba pensando que está predestinado a ter algo ainda melhor:
Um unicórnio reluzente pairando sobre um gramado florido.
Mas por que isso é uma ilusão? Por que isso é o que cada GYPSY pensa, o que põe em xeque a definição de especial:
es-pe-ci-al | adjetivo
melhor, maior, ou de algum modo
diferente do que é comum
De acordo com esta definição, a maioria das pessoas não são especiais, ou então “especial” não significaria nada.
Mesmo depois disso, os GYPSYs lendo isto estão pensando, “bom argumento… mas eu realmente sou um desses poucos especiais” – e aí está o problema.
Uma outra ilusão é montada pelos GYPSYs quando eles adentram o mercado de trabalho. Enquanto os pais da Ana acreditavam que muitos anos de trabalho duro eventualmente os renderiam uma grande carreira, Ana acredita que uma grande carreira é um destino óbvio e natural para alguém tão excepcional como ela, e para ela é só questão de tempo e escolher qual caminho seguir. Suas expectativas pré-trabalho são mais ou menos assim:
Infelizmente, o mundo não é um lugar tão fácil assim, e curiosamente carreiras tendem a ser muito difíceis. Grandes carreiras consomem anos de sangue, suor e lágrimas para se construir – mesmo aquelas sem flores e unicórnios – e mesmo as pessoas mais bem sucedidas raramente vão estar fazendo algo grande e importante nos seus vinte e poucos anos.
Mas os GYPSYs não vão apenas aceitar isso tão facilmente.
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