"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Por que eu apaguei fotos e vídeos dos meus filhos da internet

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Há cerca de uma semana comecei a apagar todas as fotos e vídeos dos meus filhos que estavam na internet. Não foi uma tarefa nem um pouco fácil. Como muitos pais, compartilhei orgulhosamente cada um dos passos e marcos que eu e meus filhos demos no caminho.
Para ser sincero, além de definir permissões de privacidade no Facebook, não me preocupava muito ao compartilhar fotos dos meus filhos com a internet. Mantenho este blog (em diversos formatos diferentes) há quase uma década, e compartilhar coisas nele foi basicamente o que fiz nesse tempo. É meio que a essência dele. E, nos últimos anos, passei a escrever menos e postar mais no Facebook, mantendo o pensamento de “minha vida é um livro aberto” na rede social.
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Minha visão sobre o compartilhamento de fotos das crianças era sempre das vantagens de ter uma maneira simples e centralizada de mostrar o crescimento delas para parentes que estão a milhares de quilômetros de distância, e isso superava a ameaça de pessoas estranhas terem acesso a elas.
Meses atrás li a opinião de Jeremy Goldkorn sobre o assunto. O artigo em si é ótimo para refletir, mas foi o seguinte trecho que fez mais sentido para mim:
Não é apenas sobre privacidade, mas também a identidade dos seus filhos. Somos seres humanos, não amebas. Como você se sentiria se a sua mãe e pai controlassem a sua presença em mídias sociais? É isso o que você faz com seus filhos.
Resisti um pouco antes de admitir, e aparentemente muitos outros leitores também, que agora vivemos em um mundo extremamente interconectado onde a privacidade não é simples como costumava ser. Eu pensava nisso estritamente como uma questão de “privacidade”, e achava que manter fotos de bebê na internet não era nada demais.
Nos meses seguintes, retornei ao tópico algumas vezes e passei a questionar mais essas coisas. Em resposta a Jeremy, John Biesnecker colocou o seguinte ponto em discussão:
Minha esposa e eu temos regras rígidas para postar coisas, e a mais básica delas é nunca postar algo que nós nos envergonharíamos caso nossos pais tivessem postado algo semelhante quando éramos crianças. Isso significa fazer escolha por nossos filhos? Sim, mas virtualmente tudo o que fazemos como pais de crianças pequenas significa escolha por eles – e algumas dessas escolhas têm impactos reais, materiais e imediatos na vida delas, impactos maiores do que postar uma foto no Facebook.
Seu ponto é bom, mas você não discorre sobre a inevitável identidade de uma pessoa sendo exposta na internet. Se isso é realmente inevitável – e eu concordo que é – então é muito melhor controlar essa narrativa na medida do possível do que permitir que ela seja moldada para você por outras pessoas.
Vale notar que John trabalha no Facebook, e podemos considerar que ao menos parte da sua opinião está alinhada com o que pensa a empresa. No entanto, ele levanta um ponto interessante sobre atuar como um guardião da identidade online do seu filho. E isso nos leva ao meu ponto de ruptura, o artigo de Amy Webb no Slate, onde ela compartilha a história de “Kate” e seus pais orgulhosos que adoram compartilhar tudo o que ela faz:

Morador de rua cria app sustentável depois de ganhar aulas particulares de programação

publicado no RPA
O nova-iorquino Patrick McConlogue começou um projeto social fascinante cerca de um mês atrás, ele ofereceu a um homem sem-teto, que passava todos os dias em seu caminho para o trabalho, duas opções: US$100 ou aulas de programação.
Curiosamente, o sem-teto chamado Leo aceitou a oferta das aulas de programação de McConlogue (ou seja, uma hora todos os dias úteis, correndo através de oito semanas), e começou a aprendizagem de programação com três livros de JavaScript e um laptop básico.
Nas semanas desde o início deste projeto incomum, Leo fez progressos impressionantes em seu estudo e está realmente trabalhando em conjunto com Patrick na construção de uma app de sustentabilidade chamado “Go Green”  – os dois planejam lançar o aplicativo no final de oito semanas do curso de programação de Leo.
A aproximação com Leo e a criação do app inspiraram a criação do projeto Journeyman, criado pelo próprio McConlogue. A intenção dele é criar uma rede que estimule o ensino de tecnologia e alcance um número maior de pessoas que precisam mudar de vida, como Leo. Além da página oficial, o projeto também mantém um perfil no Facebook.
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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Inferno eletrônico na Terra: onde os eletrônicos ocidentais vão para morrer

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por Andrew Tarantola, no Gizmodo
Enquanto consumidores do mundo inteiro aguardam o que há de mais novo e avançado nos eletrônicos de consumo, nossos antigos dispositivos digitais inundam e envenenam uma geração de crianças em Gana. O repórter Michael Ciaglo, do Colorado Springs Gazette, visitou recentemente uma área de processamento de lixo eletrônico na nação africana e voltou com algumas imagens perturbadoras. Você acha que o seu smartphone vale esse sofrimento?
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O local é chamado Agbogbloshie, um acampamento/aterro ilegal fora da cidade Acra, capital de Gana. Com cerca de 16.000 metros quadrados e lar de mais de 40.000 migrantes e refugiados, Agbogbloshie se tornou um dos principais “lixões digitais” do mundo. É o destino do entulho eletrônico do mundo desenvolvido, e processa milhões de toneladas de eletrônicos indesejados todos os anos.
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A maior parte do trabalho de processar o lixo é feito por jovens e crianças que queimam os eletrônicos para extrair o cobre valioso deles para trocar por centavos de dólar. Um “dia bom” de trabalho supostamente rende menos de US$ 4 por dia aos trabalhadores e ainda libera hordas de produtos químicos tóxicos no meio ambiente. Esses coquetéis mortais envenenam a terra, ar, água e trabalhadores próximos – prejudicando o desenvolvimento físico e mental deles.
Existem convenções internacionais para evitar que esse tipo de coisa aconteça, é claro – especificamente a Convenção da Basileia. Mas como no Haiti e Afeganistão, os Estados Unidos se recusaram a ratificá-lo, e empresas de muitos países que aderiram à convenção, incluindo Reino Unido e Japão, encontraram brechas nela. No começo dos anos 1990, países do Ocidente começaram a trocar eletrônicos de segunda mão com a África como forma de reduzir a diferença digital – e isso funcionou. Ganenses finalmente tiveram acesso a eletrônicos pessoais – que custam um décimo do que produtos novos custariam – mas as “doações” rapidamente apodreceram e se tornaram esquemas de dumping e exportação ilegal sob o pretexto de ajuda.
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